12/01/2026 Compartilhar
08/01/2026 - Mathias Boni
Apesar de um cenário macroeconômico não favorável no país, o mercado imobiliário se mostrou resiliente em 2025, avaliam especialistas. Novas políticas públicas de estímulo foram implementadas, o que deu fôlego ao setor e elevou as expectativas para que 2026 seja um ano de afirmação e crescimento da área.
O que mais prejudicou as atividades do mercado imobiliário no Brasil em 2025 foi o juro, que se manteve em patamar elevado. A Selic em 15% encarece os financiamentos de imóveis, desestimulando aquisições e desaquecendo o mercado.
— O ano no mercado imobiliário foi bom. Não foi ótimo, mas foi positivo. O cenário não estava muito favorável, a alta do juro se manteve e isso segurou um pouco o volume de negócios, mas a expectativa é que essa situação melhore em 2026 — afirma Moacyr Schukster, presidente do Secovi-RS.
— Para 2026, a perspectiva é muito boa, pois deve melhorar a questão do juro; tem projeções de que a Selic possa cair a até 12%. Somando a outros fatores, esperamos um crescimento no mercado imobiliário bem considerável neste ano — destaca a diretora de Assuntos Habitacionais do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Rio Grande do Sul (Sindimóveis-RS), Simone Carvalho.
Conforme dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), houve crescimento tanto no volume de lançamentos de imóveis (6,8%) quanto de vendas (9,6%) no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano retrasado no país.
No mercado gaúcho, o volume de vendas de imóveis no primeiro semestre teve crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2024. O número de lançamentos apresentou variação positiva de 1,7% no Estado. Os dados são de pesquisa elaborada pela agência Brain em parceria com o Conselho da Indústria da Construção Civil (Consic/Fiergs), com coordenação do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS).
— Apesar da conjuntura macroeconômica desfavorável, tivemos um bom ano em 2025, mesmo sem conseguir mensurar ainda o impacto das medidas de estímulo que foram sendo aplicadas ao longo do ano. Em termos de expectativas para 2026, acreditamos que o mercado vai crescer mais, com o cenário de provável redução do juro e com o efeito pleno das iniciativas voltadas ao setor — reforça Teitelbaum.
Ampliação de crédito deve aquecer setor em 2026.Jonathan Heckler / Agencia RBS
Novas iniciativas aquecem o mercado
Ao longo de 2025, uma série de medidas e políticas públicas foi direcionada ao aquecimento do mercado imobiliário:
1. Minha Casa, Minha Vida
2. Novo modelo de crédito
3. Ampliação do valor para financiamentos
4. Contratação de mais de um financiamento
5. SAC e Price
Boa parte destas ações já está em vigor, mas, mesmo assim, a totalidade de seus efeitos será percebida a partir de 2026.
— Para 2026, o Ministério das Cidades promete ainda mais medidas. Esse impulso do governo, junto com o cenário que deve ser de queda do juro, e também com o efeito das medidas que já foram anunciadas em 2025, deve fazer 2026 ser mais positivo. O ano passado foi um ano de resiliência para o mercado imobiliário, mas 2026 é um ano que começa com muita expectativa — analisa Murilo Arjona, especialista em crédito imobiliário.
A primeira foi o lançamento da chamada faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), abrangendo famílias com renda mensal de até R$ 12 mil. Anunciado pelo governo federal em abril, o programa entrou em vigor em maio, possibilitando a compra de imóveis de até R$ 500 mil com financiamento em até 420 meses e juros de aproximadamente 10% ao ano, menor do que o praticado no mercado. Conforme projeção do Planalto, a ampliação do MCMV poderia beneficiar 120 mil famílias.
— Essa nova faixa do Minha Casa, Minha Vida foi uma ação importante, mas, quando começou a operar, as incorporadoras ainda não estavam completamente preparadas para ofertar produtos suficientes para atender a demanda que se criou. Foi crescendo devagarinho, contratando cerca de 6 mil unidades por mês, mesmo que o objetivo do governo fosse contratar 10 mil unidades por mês, mas como o mercado está se adequando, o programa também deve crescer em 2026 — comenta Arjona.
Um programa de crédito ainda mais amplo foi anunciado pelo governo federal em outubro. A medida trouxe alterações nas regras de direcionamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e nas operações realizadas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
Até o anúncio, 65% dos depósitos de poupança precisavam, obrigatoriamente, ser aplicados pelos bancos em crédito imobiliário, 20% eram depositados compulsoriamente no Banco Central e 15% tinham livre aplicação. Conforme o governo, esse modelo limitava a expansão do crédito em momentos de queda nos saldos de poupança, situação que reflete o cenário atual do mercado financeiro.
O novo programa permitiu uma elevação gradual, até 2027, para que 100% dos recursos provenientes dos saldos da poupança pudessem ser utilizados em crédito imobiliário. Na prática, quanto mais valores forem depositados na poupança, mais crédito será destinado ao financiamento de imóveis.
Além disso, o valor máximo dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro Habitacional passou de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, em financiamentos com juros limitados a 12% ao ano.
Todos os contratos enquadrados no SFH cujo imóvel seja avaliado em até R$ 2,25 milhões passaram a poder utilizar o FGTS para liquidar, amortizar ou pagar parte das prestações.
Em dezembro, um novo anúncio trouxe ainda mais fôlego para o setor. A Caixa Econômica Federal voltou a liberar a possibilidade de contratação de mais de um financiamento ao mesmo tempo, utilizando recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
Antes, em outubro, a Caixa voltou a financiar até 80% do valor de imóveis no Sistema de Amortização Constante (SAC) e até 70% na Tabela Price (prestação constante), exigindo uma entrada menor.
Fonte: GZH faz parte do The Trust Project
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